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Grafema

grafema é a unidade formal mínima da escrita. Mínimo porque não pode ser desmembrado em dois ou mais sinais que também possam ser tratados como grafema. Formal porque é abstrato, não pode ser visto. O que vemos são as atualizações, indeterminadas em número, do grafema. Vamos entender o que queremos dizer com isso observando as imagens a seguir:

Essas imagens, que podemos chamar de letras, são algumas das ocorrências possíveis do grafema E. Embora apresentem diferentes formas e estilos, as letras do quadro possuem em comum um conjunto de características formais que podemos expressar de forma aproximada do seguinte modo:

Três segmentos de linha horizontais ou quase, paralelos entre si, igualmente espaçados ou quase, de igual comprimento ou quase, acompanhados por um segmento de linha vertical ou quase, que toca os extremos dos segmentos horizontais pelo lado esquerdo, etc.

O grafema é uma abstração inferida pela delimitação de características formais das imagens do discurso escrito. Observe as imagens a seguir:

Essas imagens não podem ser associadas ao grafema E. Isso  porque as características que definem o grafema não estão presente em sua totalidade, ou então, porque características adicionais estão presentes e mascaram seu reconhecimento.

Tipos de grafema

Na criação de um sistema de escrita talvez a decisão crucial seja a definição da correspondência entre grafema e unidades formais lingüísticas. Na escrita romana, basicamente, o grafema representa fonemas. Em alguns sistemas de escrita como o cuneiforme, o grafema representa sílabas. Em outros sistemas, como o hieroglífico, o grafema representa itens de discurso de nível morfossintático, ou seja, portadores de significado, tais como morfemas, palavras e locuções. A relação do grafema com as unidades formais lingüísticas estabelece a classificação mais relevante para grafemas, como veremos a seguir.

Ideogrâmicos

O grafema é ideogrâmico quando representa itens de discurso do nível morfossintático. Em outras palavras: o grafema ideogrâmico porta significado. O caso mais típico dessa classe é o dos grafemas que representam morfemas, palavras ou locuções.

Em nossa escrita, usamos alguns grafemas ideogrâmicos. O caso mais notável é a nossa representação dos números. 0 lê-se zero, 1 lê-se um, 2 lê-se dois e assim por diante. Observe que com apenas um sinal gráfico representamos uma Palavra inteira que representa uma idéia completa.

As abreviaturas de nossa ortografia também podem ser consideradas grafemas ideogrâmicos.

a.C. lê-se antes de Cristo.

V.Sa. lê-se Vossa Senhoria.

Adv. lê-se advogado.

Veja que a abreviatura pode representar uma Palavra ou uma locução. Nesse caso, o somatório de letras da abreviatura é que compõe o grafema ideogrâmico.

Silábicos

Grafemas que representam sílabas são encontrados em alguns sistemas de escrita como o cuneiforme dos sumérios, o sistema mais antigo de todos, ou silabários da escrita japonesa. Na ortografia do português, não temos grafemas silábicos.

Fonológicos

O sistema de escrita da língua portuguesa é baseado em grafemas que representam fonemas, ou seja, é um sistema fonológico. Temos grafemas para representar vogais e consoantes. Para quem está acostumado com A escrita romana essa afirmação pode parecer estranha, mas é preciso lembrar que alguns sistemas de escrita, como o hebraico e o árabe, representam palavras grafando apenas as consoantes. Veja como isso é possível lendo o exemplo a seguir:

Pd prcr strnh ms sstm d scrt q n rgstr  vgs cm n hbrc, pr xmpl, tm sd sds pr scls.

Diacríticos

Observe os grafemas a seguir:

A   À   Á      Ã

Todos são formados por uma mesma base gráfica (A) e diferem pela presença ou não de um sinal distintivo colocado na parte superior do grafema. Em português, usamos essa série para representar as vogais baixas do nosso idioma. É comum em vários sistemas de escrita, inclusive o nosso, a utilização de uma mesma base gráfica para representar um conjunto de itens lingüísticos semelhantes. A distinção de cada item é feita pelo acréscimo de um sinal complementar à base. Esses sinais distintivos chamamos diacríticos.

Em português, temos seis diacríticos:

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