Embora a língua não se prenda a um sistema de escrita específico, historicamente, a ortografia da língua portuguesa é ligada à escrita desenvolvida na Roma Antiga. A transcrição criada em Roma deu origem a inúmeras Transcrições ortográficas contemporâneas de vasto emprego na atualidade, entre elas, a brasileira.
As Transcrições romanas são bastante econômicas em vários aspectos, pois usam um número reduzido de grafemas, têm regras simples que facilitam seu aprendizado, são de boa legibilidade e oferecem facilidades para serem tratadas nos meios de produção gráfica. Provavelmente, essas qualidades contribuíram para a ampla disseminação das Transcrições romanas, mas logicamente não é só a qualidade que determina a aceitação de um sistema de escrita. Outros fatores históricos e sociais devem ser considerados no processo. O fato é que as Transcrições romanas são de vasto emprego na atualidade, tanto que podemos chamar o grupo por elas formado de escrita ocidental.
Convenções gerais
Vamos citar algumas convenções básicas das Transcrições romanas.
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Escreve-se em linhas horizontais da esquerda para direita.
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A seqüência de leitura das linhas é de cima para baixo.
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As páginas são viradas em sentido anti-horário.
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Os enunciados são separados Palavra a Palavra por meio do espaço em branco.
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O conjunto de grafemas apresenta quatro variações principais: maiúsculas tipográficas, maiúsculas cursivas, minúsculas tipográficas e minúsculas cursivas, usadas cada uma em contextos específicos.
As regras acima podem parecer muito óbvias para quem está acostumado com A escrita ocidental, mas é bom lembrar que existem exemplos em outros sistemas de escrita em que se procede de maneira diversa. Na escrita hieroglífica, os grafemas eram distribuídos para uma ocupação otimizada da área de escrita e, por isso, não era perfeitamente linear. Na escrita hebraica, se escreve da direita para a esquerda. Na escrita chinesa, se escreve em linhas verticais. Em árabe, as páginas são giradas em sentido horário. A escrita hieroglífica era extremamente versátil, tanto que nela era possível escrever na vertical ou na horizontal, para direita ou para esquerda, à vontade do escriba. Alguns sistemas antigos de escrita não faziam segmentação do texto em palavras.
Outras convenções poderiam ser citadas, mas, por hora, é suficiente, afinal, não existe um conjunto de regras a que se possa chamar de transcrição romana. Existem sim, vários conjuntos de regras, que se assemelham entre si e que podem ser considerados como variantes de um conjunto mais amplo e abstrato. Em cada idioma que adota a linha romana existem regras ortográficas específicas. Em espanhol, as frases interrogativas começam com o sinal ¿. Em português, usamos diacríticos como o acento agudo e o til. Em alemão, até recentemente empregava-se o Grafema ß. Os sistemas de escrita que chamamos de romanos apresentam várias semelhanças em alguns aspectos, mas também diferenças acentuadas em outros. Por isso, temos que considerar A escrita romana como uma abstração, como uma família de sistemas de escrita assemelhados que assumem contornos particulares para atender as necessidades de idiomas específicos.