Guerra da Bósnia
Guerra civil na região da Bósnia-Herzegóvina entre três grupos étnicos e religiosos (os sérvios, cristãos ortodoxos; os croatas, católicos romanos; e os bósnios, muçulmanos) pela posse de territórios. Mais tarde, atinge também a Croácia .
Nacionalismo – Com o fim dos regimes socialistas, a partir da desintegração da URSS, emergem as diferenças étnicas, culturais e religiosas entre as seis repúblicas que formam a Iugoslávia , gerando movimentos pela independência. Na Bósnia-Herzegóvina, cresce o nacionalismo sérvio que quer restaurar a chamada “Grande Sérvia”, formada por Sérvia e Montenegro, partes da Croácia e quase toda a Bósnia. Quando os bósnios decidem pela independência do país, os sérvios não aceitam.
Os combates entre sérvios e bósnios multiplicam-se. A situação de guerra civil é caracterizada em abril de 1992. Começa o conflito mais prolongado (1.606 dias até a assinatura do acordo de Dayton) e mais violento (200 mil mortos) vivido pela Europa depois da 2ª Guerra Mundial (1939-1945).
Limpeza étnica – Os sérvios da Bósnia colecionam vitórias. Nas áreas ocupadas, fazem a chamada limpeza étnica: expulsão dos não-sérvios, massacre de civis, prisão da população de outras etnias e uso dos campos de concentração da 2ª Guerra Mundial. A Bósnia-Herzegóvina pede a intervenção militar internacional, mas só recebe ajuda humanitária (alimentos e medicamentos).
A Croácia entra no conflito. Num primeiro momento reivindica parte do território bósnio e, numa segunda etapa, volta-se contra a Sérvia. A ONU elabora uma proposta de paz que não é aceita pelas partes. Com o acirramento da guerra, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) envia tropas. A ONU manda uma força de paz que, no fim de 1995, chega a 40 mil membros.
Tentativas de cessar-fogo propostas pelas Nações Unidas são repetidamente desrespeitadas. No início de 1995, os sérvios dominam 70% do território da Bósnia-Herzegóvina. O quadro muda a partir da Batalha de Krajina, em Agosto, quando os croatas obtêm importante vitória. A relação de forças torna-se mais equilibrada e facilita a estratégia do presidente norte-americano Bill Clinton de promover negociações de paz.
Insatisfação – Um acordo proposto pelos EUA é negociado na cidade norte-americana de Dayton, no estado de Ohio. Os três lados ficam insatisfeitos com as concessões que são obrigados a fazer mas, em 21 de novembro de 1995, o acordo é assinado. Ele prevê a manutenção do Estado da Bósnia-Herzegóvina nas suas fronteiras atuais, dividido em uma federação muçulmano-croata que abrange 51% do território e uma república bósnia-sérvia, que ocupa os 49% restantes. É previsto um governo único entregue a uma representação de sérvios, croatas e bósnios. Em 1996, a missão de paz da ONU é assumida por tropas da Otan, com mandato até dezembro, e, para reforçar o acordo de Dayton, várias vezes sob ameaça, os EUA realizam ao longo do ano reuniões em Roma e Genebra.
Tribunal de Haia – Em maio de 1996, o Tribunal Internacional de Haia inicia o julgamento de 57 suspeitos de crimes de guerra. Os acusados mais importantes são o líder sérvio Radovan Karadzic (presidente do Partido Democrático Sérvio e da República sérvia-bósnia de Srpska) e seu principal comandante militar, o general Ratko Mladic. Ambos são responsáveis pelo massacre ocorrido na cidade de Srebrenica, onde 3 mil refugiados bósnios muçulmanos foram executados e enterrados em fossas; 6 mil encontram-se desaparecidos.
Eleições – A primeira eleição livre à Presidência na Bósnia-Herzegóvina ocorre em 14 de setembro. Em meio a atentados sérvios contra bósnios, o presidente muçulmano da Bósnia, Alija Izetbegovic, é o mais votado, com 731.024 votos. O sérvio Moncilo Krajiniski recebe 690.130 votos e o croata Kresimir Zubak, 329.130. Os três integrantes da Presidência são líderes nacionalistas que lutaram por suas etnias durante a guerra.
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