Observe os textos a seguir, redija um texto dissertativo em prosa, em torno de 30 linhas, defendendo (ou não) a tese segundo a qual o ser humano está perdendo seu espaço para a máquina. Enriqueça seu texto com exemplos recentes.
Apanhado Histórico
Nesta emergência de um novo paradigma, ao qual chamamos ciência moderna, iniciado no século XVII, participaram decisivamente Francis Bacon (1551-1626), Descartes (1596-1650), Galileu (1564-1642) e Newton (1642-1727). Esta nova concepção era vista como um instrumento de transformação da natureza, do poder do homem sobre a natureza, capaz de melhorar as condições de vida das populações. Uma nova tematização da natureza, uma nova visão de pensar o mundo, na qual a concepção da ciência e técnica são considerados instrumentos de poder e de dominação da natureza.
Ao fazê-lo, o homem, numa luta incessante contra o tempo, tem a necessidade de se replicar num sem número de processos e tarefas procurando a perfeição e a eficácia.
É neste contexto que a relação homem-máquina assumiu extrema importância e continuará a assumi-la no futuro. O homem pretende que a tecnologia produza conhecimento, científico ou empírico, que lhe permita construir máquinas, que o substituam não só em tarefas repetitivas, mas também máquinas que pensem e sintam; mas, ao fazê-lo, não estará o homem a fazer perigar as suas capacidades, competindo com máquinas que pensem com ele, como ele e para ele? A criatura não se revoltará contra o seu criador?
No passado, a relação homem-máquina era uma relação física, mecânica, materializada inicialmente na aplicação da tecnologia dos relógios mecânicos e evolui até a construção de autômatos (seqüenciação de ações), que induziu a noção de controle de processos. Poder-se-á conceber uma máquina "inteligente"? A ciência desenvolveu mais um dos seus campos de pesquisa que utiliza capacidades de processamento de símbolos da computação, com finalidade de encontrar métodos genéricos para automatizar atividades perceptivas, cognitivas e manipulativas por via do computador que se designou de Inteligência Artificial. Dito de outro modo, a Inteligência Artificial será a tentativa de automatizar as faculdades mentais humanas através da transposição do seu modelo de funcionamento para as máquinas.
(Mário Oliveira Bittencourt.)
"As máquinas são adoradas porque são belas, e apreciadas porque conferem poder; são odiadas porque são feias, e detestadas por imporem a escravidão. Não suponhamos que qualquer dessas atitudes seja 'certa' ou 'errada', pois seria o mesmo que ser certo afirmar que os homens têm cabeça, mas errado afirmar que têm pés, embora possamos imaginar facilmente os liliputianos a discutir este assunto em relação a Gulliver. A máquina é como um gênio das Mil e uma Noites: bela e benéfica para o amo, mas feia e terrível para os seus inimigos. Mas em nossos dias a nada se permite exibir-se com essa simplicidade. É verdade que o dono da máquina vive longe dela, onde não pode ouvir o seu barulho, ver os antiestéticos montes de sucata ou cheirar os seus vapores venenosos; se chega a vê-la, é antes de instalada, ou de posta em uso, quando pode admirar a sua força ou sua delicada precisão sem se aborrecer com a poeira ou o calor. Mas quando é desafiado a considerar a máquina do Ponto de vista daqueles que têm de viver e trabalhar com ela, sua reposta é pronta. Pode frisar que, devido ao funcionamento da máquina, aqueles homens podem comprar mais mercadorias - muito mais - do que os bisavós poderiam. Conseqüentemente, devem estar muito mais contentes que os bisavós - a aceirtarmos a suposição que todo mundo faz."
(Bertrand Russel, Ensaio Céticos.)
"Macunaíma passou então uma semana sem comer nem brincar só maquinando nas brigas sem vitória dos filhos da mandioca com a Máquina. A Máquina era que matava os homens porém os homens é que mandavam na Máquina... Constatou pasmo que os filhos da mandioca eram donos em mistério e sem força da máquina sem mistério sem querer sem fastio, incapaz de explicar as infelicidades por si. Estava nostálgico assim. Até que uma noite, suspenso no terraço dum arranhacéu com os manos, Macunaíma conclui:
- Os filhos da mandioca não ganham da máquina nem ela ganha deles nesta luta. Há empate."
(Mário de Andrade, Macunaíma.)